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23 de Agosto de 2017
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    Segunda turma do curso "Organização no Local de Trabalho" discute mobilização e organização no SITRAEMG

    Foi realizado durante todo o sábado, 22 de outubro, a segunda edição (a primeira aconteceu em setembro) do curso “Organização no Local de Trabalho”, ministrado pelo educador popular Emílio Gennari e direcionado, prioritariamente, aos diretores de base do SITRAEMG. No entanto, desta vez o curso teve também a participação de funcionários do Sindicato – de acordo com a coordenadora-geral Lúcia Bernardes, essa participação seria importante na medida em que um melhor conhecimento do tema propiciaria um melhor atendimento ao filiado.

    Gennari iniciou os trabalhos perguntando aos participantes qual era o motivo, em suas opiniões, da dificuldade em mobilizar os colegas de trabalho. A partir das respostas, o professor fez um histórico das atuais relações de trabalho e traçou um panorama do que leva os trabalhadores de hoje a se sujeitarem às mais precárias condições de trabalho em troca de benefícios que, se vistos de perto, podem ser, na verdade, instrumentos de controle e desmobilização. “As pessoas perderam a capacidade de se indignar, passaram a achar que tudo ‘faz parte’ [do trabalho]”, alertou o educador.

    Coletividade: essencial

    Pelos debates, percebe-se que a coletividade, que é o que possibilita a organização dos trabalhadores, vem sendo constantemente minada. Seja pelos locais de trabalho que não favorecem o encontro de colegas de um mesmo andar, seja pelas metas e afins que colocam um funcionário contra o outro, a individualidade e a cultura do “cada um com seu problema” é fortalecida nos ambientes de trabalho – e quebrar esse ciclo é o desafio dos sindicalistas.

    A importância da participação de toda a categoria para que as lutas caminhem também foi muito ressaltada: “o sindicato não é uma empresa que somente resolve problemas, mas sim uma instituição que só avança com a ação de todos”, lembrou Emílio Gennari. O educador comparou o trabalhador responsável por organizar e mobilizar os colegas de trabalho ao armador de um time de basquete. Este jogador é responsável por avaliar o jogo e o posicionamento dos colegas de maneira que o time marque pontos – conhecendo as características de cada jogador, é ele quem estimula cada um de acordo com isso. “O armador quase não aparece ou é lembrado quando a bola chega na cesta, mas ele é fundamental para isso”, esclareceu Gennari.

    Adoecimento crescente é uma realidade

    Os participantes desta edição do curso também aprenderam sobre a estreita relação entre as novas relações no trabalho e o crescente adoecimento dos trabalhadores, com foco, aqui, nos servidores públicos do Judiciário Federal – com direito a vários exemplos trazidos pelos presentes, que, se não passaram eles próprios pela situação, conheciam pelo menos um colega que já adoeceu. “Explorar o sofrimento do servidor faz com que ele produza cada vez mais, ignorando a própria saúde, para garantir o seu lugar no emprego e fugir da sensação de ser incompetente, de estar abaixo da média”, revelou Emílio Gennari.

    Como fechamento do curso, foram enumerados os passos para provocar a mobilização no local de trabalho, que incluem detectar e dar a devida importância aos problemas, estimular o questionamento entre os trabalhadores, ser um bom ouvinte e transparente com suas ações. No entanto, uma das principais necessidades é identificar os diferentes tipos de pessoas no ambiente de trabalho para determinar quais seriam os parceiros ideais para cada ação, pois “muitas vezes nos frustramos porque esperamos que as pessoas erradas façam as coisas certas”, apontou Emílio Gennari.

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